Síndrome do Comer Compulsivo Considerada como o mal do século, a ansiedade interfere tanto na saúde, que pode levar a um distúrbio alimentar difícil de controlar
por Vladimir Maluf
Os nomes vão se multiplicando. As síndromes vão surgindo. Esta, com a sigla SCC, tem, na sua base, o mal do século: a ansiedade. “São pacientes, em sua maioria, com baixa autoestima, preocupados com o peso corporal, mas incapazes de mantê-lo na faixa normal, que manifestam grande instabilidade emocional frente ao alimento e com antecedentes de vários tratamentos para emagrecer, quase sempre sem sucesso”, afirma a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva (SP). Ela revela tudo sobre a SCC. Confira:
O que significa essa síndrome?
É o transtorno alimentar mais freqüente na prática clínica e a característica comum a todos os pacientes é a ansiedade. À medida em que procuramos entender a relação entre a obesidade e uma série de transtornos psiquiátricos, podemos constatar que um número muito grande de obesos preenche os critérios de diagnóstico de algum dos distúrbios alimentares. E, entre eles a compulsividade no ato comer, ou seja, o comer independente da fome.
O que acontece com um comedor compulsivo?
Os episódios compulsivos não são simplesmente comer muito em pequeno espaço de tempo. Há algo muito próprio nesses casos: a impossibilidade de se conter e a perda do controle sobre a alimentação. Muitas vezes o paciente ingere tudo aquilo que encontra na geladeira ou na despensa. Devora a fruta, o iogurte, a bolacha, um resto de suco, arroz frio, leite, chocolate, etc, gostando ou não do que ele encontra. Muitos pacientes atingem até a exaustão e a dor física.
Depois, surge a culpa e o vômito, como os bulímicos?
O que distingue estes pacientes dos que apresentam bulimia é que estes param neste ponto. Os bulímicos realizam uma série de atitudes compensatórias como o vômito autoinduzido, o uso de drogas laxantes, diuréticos, hormônios tireoideanos, anfetaminas; praticam exercícios físicos excessivos ou fazem dietas drásticas que chegam ao jejum.
Para eles, o alimento funciona como recompensa?
As relações entre alimentação e afeto são abordadas pela maioria dos psicanalistas, que procuram relacionar o ato de alimentar uma criança com o desencadeamento de sensações de prazer, conforto, proteção e aconchego. Fortalecendo-se o elo entre comida e sentimento. Os bebês não choram apenas por fome e se forem atendidos sempre com a oferta de alimentos para acalmar o seu desconforto emocional poderão construir relações negativas ou equivocadas entre alimentação e afeto. Esse padrão tende a se perpetuar na infância e na vida adulta, gerando adultos que costumam se presentear e se acalmar somente com alimentos. E o fazem de maneira compulsiva.
Qual seria a forma de tratamento desses pacientes?
A terapia e a psicanálise são grandes aliadas. Além delas, uma formulação dietética realista e individualizada, com a atuação de uma equipe de nutrição familiarizada no tratamento desses pacientes faz toda a diferença. Finalmente, a associação de medicamentos sacietógenos, antidepressivos e ansiolíticos completam uma das linhas mais bem-sucedidas de recuperação.
| Ellen Simone Paiva, endocrinologista e nutróloga. Mestre em Medicina na área de Nutrição e Diabetes pela USP. Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, SBEM e da ABRAN, Associação Brasileira de Nutrologia. Diretora clínica do CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional. |
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