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Nutrição
 
  Ovo, redenção definitiva
Condenado por anos a fio, ele deu a volta por cima e aí está: radioso, ganha de novo lugar de honra nas mesas saudáveis do País

POR FABIANA GONÇALVES

Durante as últimas décadas, o ovo de galinha esteve na mira dos pesquisadores e acabou recebendo tarja preta por causa dos males que poderia causar. Esse período de abstinência fazia o saudosista da deliciosa proteína delirar só de imaginar as conseqüências de um simples e gostoso ovo frito na manteiga acompanhado de uma porção de arroz branco bem fresquinho.

Pois é. Durante muito tempo, o ovo foi sinônimo de colesterol ruim, um palavrão no dicionário da alimentação saudável. Realmente, ele é fonte de colesterol: uma unidade com cerca de 50 gramas apresenta 211 mg, e a recomendação da Associação Americana do Coração (AHA) é consumir, no máximo, 300 mg por dia. Um susto.

Formador de tecidos
Porém, nem por isso ele é um vilão. "Não se deve esquecer que o ovo não faz mal à saúde, ao contrário. Ele é um alimento universal, uma proteína de alto valor biológico, fartíssimo em vitaminas: A, D, E, K e aquelas do complexo B (B1, B3 e B12), além de ser rico em zinco e manganês. Outra vantagem? Tem poucas calorias se comparado a outras fontes de proteína animal: cerca de 70", afirma a nutricionista Rosana Perim Costa, gerente do Serviço de Nutrição do Hospital do Coração (Hcor-SP). "Como faz parte do grupo dos reconstrutores, o ovo é responsável pela formação e recomposição dos tecidos, manutenção da força muscular, além de prevenir a desnutrição protéica", completa.

Talvez por todos esses motivos, recentemente, o ovo tenha sido resgatado do exílio gastronômico. Prova disso é que a própria Associação Americana do Coração não dispõe de recomendações que limitem o consumo de ovos. "Ainda assim, o bom senso é fundamental e uma boa dica é consumir mais claras do que gemas. Ao fazer uma omelete, por exemplo, inclua duas claras e uma gema" , recomenda a nutricionista Liliana Paula Bricarello, vice-diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). "Um adulto saudável, com colesterol estável, pode comer até um ovo por dia. Quem tem o LDL (colesterol ruim) alto deve consumir no máximo três por semana", orienta a especialista.

Colina: ótima para o cérebro
Um pouco mais cautelosa, Rosana Perim Costa restringe o consumo diário para três por semana. "Até porque, além de ser enjoativo, existem pratos que já contêm ovos, como massas, bolos, doces, etc. E é exatamente essa soma que pode alterar a concentração do colesterol ruim", afirma. "Outra dica: não se deve consumir ovos junto com outras proteínas, ou seja, com outra fonte de alimento reconstrutor. Nada de comer o ovo acompanhado de queijo, leite ou derivados, carne ou peixe."

Logo, tire do menu o famoso bife à cavalo. Não apenas pelo excesso de calorias, mas também de proteínas. "Da mesma forma que, ao acrescentar alguns ovos de codorna no prato, diminua a porção de carne", complementa Liliana. Com relação ao preparo, as duas especialistas são unânimes: nunca coma gema mole. Ela pode provocar intoxicação alimentar, principalmente por salmonela.

Vencido o preconceito, as qualidades do ovo começam a ganhar atenção. "De grande valor nutritivo, ele é uma boa fonte de proteínas (clara) e de gorduras (gema), e garante energia pela quantidade de fósforo", explica Liliana. Fortalece os ossos porque contém cálcio e protege o sistema imunológico pela presença de ferro e zinco.

Desânimo e cansaço também não têm vez na sua rotina com a ajuda de um bom ovo mexido - a combinação amarela e branca é ótima fonte de triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, substância associada à sensação de bem-estar. Outro elemento encontrado no ovo é a colina, que faz o cérebro funcionar a pleno vapor e previne contra doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Uma unidade carrega cerca de 130 mg do nutriente, enquanto 100 gramas de salmão têm 56 mg.

A colina também vem sendo apontada como uma aliada da gravidez. Estudos demonstram que ela atua na formação do cérebro do feto. Somando tudo isso ao preço convidativo de uma caixinha de ovos de galinha, não faltam bons motivos para incluí-lo no seu menu.

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