Pra ter uma vida saudável é preciso de suplementos? Eles estão na moda. Mas antes de correr até a farmácia mais próxima para comprar o seu, faça o teste e descubra se é realmente necessário lançar mão deles ou se a alimentação já supre suas necessidades diárias
por Liana Pires | fotos Marcelo Resende produção Janaína Resende
Cada vez mais populares, os suplementos de vitaminas e minerais fazem parte da rotina de milhões de pessoas em todo o mundo. A função dessas pílulas é suprir a deficiência de certos nutrientes de que o corpo precisa.
Se bem empregadas, elas melhoram o rendimento no trabalho, nos estudos e nas atividades físicas, além de garantir maior disposição para realizar tarefas cotidianas. Adultos, crianças e até idosos podem consumi- las, desde que sejam prescritas por um médico ou nutricionista.
O endocrinologista Carlos Alberto Cruz Mello, de São Paulo, diz que os suplementos são indicados para remediar as carências nutritivas de quem se alimenta mal ou de atletas que não conseguem repor o que foi gasto apenas com a alimentação.
"Seu uso deve ser feito em situações especiais, como deficiência causada por doença ou situação momentânea de saúde. Esportistas com grande carga também são candidatos", explica Israel Adolfo Busto, nutricionista do esporte e especialista em fisiologia do exercício, de São Paulo (SP).
Nutrientes em falta
Com os cuidados necessários, a suplementação pode ser aliada da boa saúde, fazendo os processos metabólicos que usam vitaminas e minerais funcionarem perfeitamente. Quando esses nutrientes estão em falta, o corpo age mais lentamente, e só não para porque há um estoque.
Apesar de os nutrientes em forma de pílula estarem na moda, especialistas em nutrição são unânimes em dizer que a suplementação não substitui a ingestão de frutas, verduras e legumes de três a seis porções por dia. Eles contêm naturalmente todas as substâncias que o organismo precisa. Por exemplo: figo, abacaxi, beterraba, alcachofra, abacate e quiabo são ricos em magnésio; a banana tem muita vitamina B6; enquanto todas as frutas consumidas com casca, como maçã e pera, possuem fibras.
"Os complementos oferecem quantidades altas - totais ou acima da recomendação - de nutrientes. Associados à alimentação, podem gerar uma ingestão excessiva que causa riscos ao organismo", explica o nutricionista clínico e esportivo Patrick Lima, de São Paulo (SP). Entre os problemas que a ingestão desnecessária de suplementos pode trazer estão: toxidade, falha na absorção de outras vitaminas e minerais, acne, seborreia, esterilidade, saturação dos rins e do fígado e estresse no sistema cardiovascular.
Por isso, nada de se render a modismos ou comprar aquela cápsula que está fazendo milagres pela saúde de uma amiga. Além dos danos físicos, pesquisas da American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) indicam que os suplementos em excesso podem causar agressividade, mudanças de personalidade, euforia, depressão, agitação e insônia, além de agravar doenças preexistentes.

Quem precisa deles
O nutricionista do esporte Israel Adolfo Busto esclarece para quem e quando é recomendada a ingestão de suplementos
Crianças: devem recorrer aos suplementos desde que estejam com carências nutricionais, como anemia por deficiência de ferro.
Grávidas: geralmente nessa fase é necessária a suplementação de alguns elementos, como o ácido fólico, primordial para a formação do sistema nervoso, e o ferro, para a produção de hemoglobina.
Idosos: podem usar suplementos quando sofrem por doenças causadas devido a carências nutricionais, como é o caso da osteoporose, que ocorre pela baixa ingestão de cálcio.
Mulheres na menopausa: a prevenção deve começar antes dessa fase, que ocorre por volta dos 45 anos. Quando isso não é feito, é necessária a complementação de cálcio, pois sua falta pode acabar culminando com a osteoporose.
Vegetarianos: podem sofrer deficiências de vitaminas contidas na carne, como as do complexo B, mais especificamente a B12. Ela pode ser reposta com suplementação ou com alimentos específicos, como o lêvedo de cerveja. |
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